[#Design] Geometria do design: fundamentos de harmonia gráfica visual

Por Babi Tubelo, Design.Blog:
A geometria é a linguagem do homem. Ela une a matemática e a beleza – a seção áurea aplicada em produtos industriais faz toda a diferença. A predileção pela seção áurea não se restringe ao senso estético no homem; ela também faz parte das relações entre as proporções nos padrões de crescimento de seres vivos como plantas e animais.



“A natureza humana parece preferir a figura do retângulo áureo como a mais agradável e harmoniosa figura gráfica. A proporção para a qual se convém tender é a chamada Proporção Áurea” (RIBEIRO, 2000, p.151). Outro autor também define a proporção áurea como sendo a harmonia das formas, assim:

“O poder do segmento áureo de criar harmonia advém de sua capacidade singular de unir as diferentes partes de um todo, de tal forma que cada uma continua mantendo sua identidade, ao mesmo tempo em que se integra ao padrão maior de um todo único”. (DOCZI, 1990).

O uso da proporção áurea nos desenhos industriais


Na figura abaixo temos ilustrado as proporções áureas, as quais fazem parte da construção de qualquer artefato do desenho industrial, ou melhor, do bom desenho industrial. Aliás, essa configuração não está somente no desenho de artefatos, mas também no desenho gráfico, no desenho digital e editorial, no desenho de sinalética, etc. Baseado nisso, porque certos produtos nos chamam mais á atenção do que outros? Serão suas formas aconchegantes, harmoniosas e agradáveis? O que faz com que estes produtos sejam vistos dessa maneira pelos olhos do observador? Que atributos possuem? Autora do livro “Geometria do Design”, Kimberly Elam, relata na introdução de sua obra:

“Vi excelentes ideias conceituais acabarem prejudicadas durante o processo de realização, em grande parte devido a uma falta de entendimento, por parte do designer, dos princípios visuais da composição geométrica”. (ELAM, 2010, p.05).


Na Bauhaus da década de 20, analisavam a forma sob o aspecto de elementos geométricos básicos. Acreditavam que “esta linguagem seria compreensível para todos, apoiadas no simples fato de o olho ser um instrumento universal” (LUPTON, 2008, p.08). Quadrados, círculos e triângulos, são formas as quais o olho humano está acostumado a ler sem muita dificuldade. Conforme Munari (1997) existem as formas básicas, como por exemplo, o círculo, o quadrado e o triangulo eqüilátero, que a partir dessas, são geradas outras formas mediante variações de seus componentes. O processo de design segue teorias de forma e configuração. Estas são fundamentais para se projetar, visto que, sem conhecimento de morfologia, o desenhador não está habilitado a realizar tal tarefa de desenho.

A cadeira Barcelona, projetada por Mies van der Rohe no ano de 1929, para o Pavilhão da Alemanha na Exposição Universal daquele ano, na cidade catalã Barcelona é uma peça difícil de acreditar que foi projetada a mais de 70 anos e continua a ser apreciada e produzida ainda nos tempos atuais. A cadeira Barcelona é uma sinfonia de proporções meticulosas baseadas em um simples quadrado. Sua altura, sua largura e profundidade, são idênticas, ou seja, ela se encaixa perfeitamente num cubo. Os retângulos de couro do assento e do encosto fixados na armação de aço exibem uma proporção de retângulo de raiz de2. Aconstrução em “X “das pernas da cadeira forma uma estrutura esquia e charmosa, ao qual a tornou um símbolo do design contemporâneo.


Um exemplo de produtos que seguem estruturas básicas são as da empresa italiana Alessi a qual é conhecida por projetar produtos experimentais e avançados que são concebidos por designers de renome. Seus produtos, eventualmente, combinam funções simbólicas, práticas e estéticas. É o caso da chaleira II Cônico (1980 -1983) por Aldo Rossi (logo abaixo na proporção áurea) cujos projetos privilegiam a concepção do objeto e só depois avalia sua produção industrial. A chaleira é uma concepção unificada de formas geométricas bem definidas. Seu formato principal é o de um cone de um triângulo eqüilátero, que permite à superfície inferior aproveitar ao máximo o contato com a fonte de calor, tornando mais eficiente o aquecimento.

A estrutura geométrica da chaleira pode ser analisada com uma malha estrutural de 3 x 3. O terço superior compõe-se da tampa e da esfera no vértice, a porção intermediária abrange o bico e a alça e o terço inferior, a base. A alça da chaleira é um triângulo reto invertido, metade de um triângulo eqüilátero e também pode ser vista como a porção de um quadrado.



Lobach (2001, p.159) lista uma série de elementos, baseado na Gestalt, aos quais são necessários nos projetos de produtos industriais. Este mesmo fala que “o designer deve organizar os elementos configuracionais segundo um principio de configuração adequado para alcançar o efeito desejado. Com isto fica claro e evidente quão importante é a aptidão do desenhador industrial para incorporar conhecimentos de estética do objeto e estética empírica ao processo de design”. Segundo Wong (1998) define forma como tudo o que é visível e tem formato, cor, tamanho, textura e que ocupe um espaço, marque uma posição e indique uma direção. Todas essas composições, juntas, constituem em elementos configurativos aos quais são de conhecimento imprescindível para o desenhador.

Abaixo está ilustrado um cartaz projetado por Fritz Schleifer no ano de 1922 para a Bauhaus Ausstellung (Exposição Bauhaus) ao qual segue idéias construtivistas da época, o rosto humano e a tipografia são representados de maneira abstrata, com formas geometrizadas e simplificadas ao qual caracteriza a era da máquina no inicio do século XX. No cartaz há a representação de um rosto geométrico ao qual está simplificado em cinco formas retangulares. A largura do menor retângulo, que representa a boca, é o módulo de medida para a largura dos demais retângulos. A tipografia, desenhada seguindo a mesma lógica geométrica do resto do pôster, ecoa as rígidas formas angulares.




Todas as cinco formas geométricas possuem proporções entre as larguras dos retângulos, estas variam de dimensão, conforme o desenho do rosto. Na segunda figura, está representado um rosto geométrico projetado por Oskar Schlemmer, como parte de um selo da Bauhaus, no ano de 1922.

Portanto Lobach (2001, p.161) enfatiza que as características estéticas da configuração de um produto industrial são determinadas pelos elementos configurativos, estes que são divididos em macro e microelementos. Os macroelementos são aqueles aos quais apreendidos conscientemente no processo de percepção do usuário de maneira clara, tais como forma, figura, material, superfície, cor, etc. Já os microelementos são aqueles que não aparecem de forma imediata, tais como parafusos, rebites, tarugos. Esta provada que sociedades culturalmente mais evoluídas possuem alto senso crítico, o que as torna mais perceptíveis a esse tipo de configuração.


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